Enlouqueça!

Blog de unimultiplicidade :UniMultiPlicidade... como começo de caminho., Enlouqueça!

Bom dia!

Hoje acordei "atacada".
Acordei é modo de falar. Não dormi, simplesmente. rsrs... daí o “atacada”, percebe? Aqueles dias que amanhecem à la “vem quente que tô fervendo?” (lembrei, viu, Márcio? rsrs).

Ontem, conversando com a Denise e o Guto por MSN, até alta madrugada, ouvindo Plácido Domingo, veio  o "link" infame e a zoação: “Ai Zesus... domingo é dia de agüentar os centos e-mails nos parabenizando por ser mulher. Putz!!” Ahahahaha!

E quem disse que precisou chegar domingo?!! A avalanche começou desde ontem. Então, resolvi antecipar o post de domingo (amanhã vou postar uma pérola do José Cândido de Carvalho... não deixe de ler) para dar uma explicada nessa história de eu não gostar, mesmo, de receber essas homenagens.

Pra começar, o Dia Internacional da Mulher é uma data tão importante... Pra que deixar que se transforme numa imbecilidade onde as mulheres recebem rosas, poemas, chocolates e ouvem piadinhas idiotas?! Deixem os presentinhos, os chocolates (ai, mimos e chocolates!!!), poemas etc. para outro dia. As piadinhas, dispenso, obrigada!

Já vi muita gente questionar a existência da data, como se fosse "injusto", já que não existe o "Dia do Homem". Injusta é, ainda, a situação da mulher em todo mundo e por isso é que essa data é tão importante! Porque é, estrategicamente, um momento de fazer alarde, em todos os meios de comunicação, das discriminações e violências que sofremos em diversas áreas da vida, apenas por sermos mulheres. Essa data não existe para que sejamos "homenageadas"... isso é a utilização do mercado dessa data para vender mais. O Dia existe para lembrarmos de questões importantes que dizem respeito a nós.

Há tempos me acostumei com algumas pessoas me “acusando” de feminista, como se isso fosse algo assim, desabonador de conduta. Feminismo, pra mim, é uma palavra linda, que me lembra libertação, alegria, felicidade, conquista, fraternidade, força, luta... Mas, infelizmente, essa não é a imagem que o feminismo tem pra maioria das pessoas (inclusive para muitas, muitas mulheres!), em função, creio, da estigmatização do "movimento organizado" (do qual nunca fiz parte, efetivamente e nem por isso sou menos feminista).

Eu fico mesmo impressionada como o feminismo conseguiu, entre todos, ser um dos movimentos sociais com maiores conquistas concretas, que refletem na vida de todas as pessoas e, ao mesmo tempo, ser um dos movimentos sociais mais desacreditados e vítima de agressões de pessoas completamente desinformadas (ou mal intencionadas). Calma! Não se desespere. Não vou escrever sobre a história do movimento. Isso levaria muito tempo e muito espaço. rs! Mas, penso que seria importante, pra todo mundo que a gente refletisse e discutisse, aqui, o que sabemos e como vemos esse Movimento que tem tido uma influência direta nas nossas vidas, mesmo sem a gente pensar nisso. É bacana que todos nós - homens e mulheres – reflitamos.

Acho que eu comecei a "me sentir feminista"  (sim, sentir... porque creio que ser, sou desde a tenra infância, quando enlouquecia com os meninos que tomavam minhas bolas de gude ganhadas no jogo, se valendo por eu ser mulher!) mais ou menos em 84, 85... Época da faculdade.  E, nessa época, já tinha gente fazendo história, há muito tempo!!! Mulheres às quais eu peço a benção, por elas terem nos ajudado a exercer direitos que, hoje, nos parece tão naturais. Exemplos: ao voto e à eleição; a ter maior igualdade de salários perante aos homens; a alguma proteção contra os assédio sexual no ambiente de trabalho; a alguma proteção contra a violência doméstica; muito mais direito a exercer sua sexualidade ; a ser vista, em termos de saúde, integralmente, em todas nossas fases, não apenas como parte da "saúde materno-infantil"; a licença-maternidade de 120 dias; a uma legislação civil menos sexista; e por aí vai… Lembra de mais?

Agora, Imaginem, as meninas que estão começando a vida agora, como estão encontrando o caminho muito mais "fácil"?  E, muitas, nem se dão conta disso e saem por aí propagando idéias equivocadas, pré-concebidas... Por isso acho que essas mulheres que lutaram, para que tivéssemos assegurados todos esses direitos, merecem, no mínimo, muito mais do nosso respeito, né não?

A difusão de idéias equivocadas perpetua uma situação em que, infelizmente, as pessoas não têm a mínima idéia do que realmente é uma feminista. Alguns mitos e bobagens são repetidos como um "moto contínuo"... Eu os ouço a 3X4 e não creio seja diferente com você. Quem nunca ouviu coisas do tipo:

"As feministas dizem que as mulheres são iguais aos homens"
Nada me irrita mais que ouvi isso em qualquer discussão! É um dos equívocos que as pessoas repetem "ad eternum" sem pensar no que estão falando. É “obóvio” que sabemos que somos diferentes! Mas o que discutimos é que não é possível aceitar que essas diferenças biológicas determinem o poder de um gênero sobre o outro. Não é porque parimos e amamentamos, que vamos ter que ser as únicas a cuidar das crianças, por exemplo, ora bolas!!
Talvez, em algum momento, há décadas atrás, as mulheres estivessem aprendendo a se colocar no mundo e a bandeira fosse a existência de uma igualdade total dos sexos, mas existe uma evolução e uma compreensão das diferenças biológicas. Adoramos essa diversidade, desde que ela não seja usada para tolher nossos direitos. Então, please...  não saiam repetindo isso, por aí.

 "As feministas são amargas, mal amadas, rancorosas"
Ahahahahahaha! Só rindo!... Eu sou mulher (embora muitos jurem de pés juntos que sou “trava” rs!), sou feliz, tenho um altíssimo astral (graças a God!), sou bem humorada (mesmo em TPM e baixos das crises bipo) e me orgulho de me colocar no mundo como feminista. Claro que existem mulheres sofridas (no movimento, como em qualquer outro lugar, situação) no trabalho, família, vida...  Amargura está por todo lado, infelizmente. Mas ser feminista não significa ser amarga. Pra ser sincera, penso o contrário. As feministas s/ão pessoas muito "bem-amadas" porque a consciência adquirida fez com que elas não precisassem ter sempre um homem que justificasse a sua existência.

 "Sou feminina, não sou feminista"
 
Quem nunca ouviu essa “pérola” da boca de alguma criatura fêmea?! Quem disse que por ser feminista a gente não pode ser feminina, vaidosa?! Na verdade, eu, particularmente, não fico procurando ser uma coisa ou outra, nem acho que uma está dissociada da outra. Sou apenas a mulher que aprendi a ser. A Simone de Beauvoir já dizia que "não nascemos mulheres, nos tornamos mulheres". Esse comportamento considerado "feminino" é adquirido, aprendido e ele não é determinado biologicamente. Da mesma forma que ser feminista não significa abrir mão do salto agulha. Eu abro porque não consigo me equilibrar nele e a coluna dói horrores!. Ahahaha! Esqueça o estereótipo. Como todas as mulheres, as feministas são diversificadas... umas um pouco mais, outras um pouco menos vaidosas, mas a maioria  nem de longe é o tipo de mulher com perna cabeluda e "malarrumada", que muita gente imagina que seja  "uma feminista".

"Feministas são radicais demais"
Concordo parcialmente. E, na minha opinião, precisa ser. Todos os movimentos estão na “vanguarda” (acho esse termo tão demodée... mas como substituir?), precisam empurrar o trem da história, que só pega no tranco... se não forçar um pouco a barra, não sai do lugar. Eu sou radical por natureza (esta difícil de domar, diga-se de passagem). Se a gente não tiver alguém que seja, radicalmente, a favor do direito da mulher a "decidir sobre o próprio corpo", nunca conseguiremos exercer esse direito. Entonces, antes de falar que as feministas são "radicais", pensem que esse radicalismo já significou - e ainda vai significar - muitas conquistas para todos nós. 
 
"Feministas são muito raivosas"
 
Ahahaha! Essa é outra que me faz rir horrores! Conheço tanta “raivosa” nada feminista. E, também, o contrário... Eu não classificaria as feministas de “raivosas”, mas "mulheres difíceis". Isso, sem dúvida. Sou uma mulher difícil, no sentido de inconformada com a condição de passividade, temperamental...  Mas, isso não é característica apenas das feministas, é? Claro que não! Digamos que, no movimento de mulheres, há uma boa quantidade de figuras muito difíceis. Mas não fomos nós, mesmas, que decidimos, que "as boazinhas não fazem história"?!

 "Feministas odeiam os homens"
Hahahaha! Desculpas pela crise de riso! Eu ia colocar essa frase logo no início, mas me contive. Só rindo… Homem está nos primeiros itens da lista do que gosto mais. rs!... Nós namoramos e nos entregamos a relações intensas. Acontece que nós amamos homens que nos respeitam, que nos tratam com igualdade, que lutam do nosso lado. Quer dizer... buscamos encontrar esses dito-cujos, porque - com toda sinceridade - até amamos, vez por outras, uns “Zé-Mané”, todo errado! Mas isso é difícil de controlar, né? hehehe! O fato é que não queremos os homens de "outro lado", queremos que eles sejam nossos companheiros, porque num mundo que as mulheres têm direito iguais, as condições da sociedade melhoram como um todo, pra todo mundo. Agora, o problema é que a maioria os homens tem medo disso. Ainda... pode?! E aí é mais fácil ridicularizar o que não se sabe como lidar, né não? Só lamento pelos que estão perdendo a oportunidade de viver relações adultas e, realmente, satisfatórias.

 "Feminismo não combina com a maternidade"
 
Que besteira!!!! Não tive/tenho filhos por outros tantos motivos, não por me sentir feminista. Acho mesmo que seria um “esporro” de mãe!  E há feministas que são mães maravilhosas... Amamentaram, tiveram partos naturais, dedicaram-se aos filhos, porém, sempre sem esquecer que elas têm outros papéis no mundo, que antes de mães são mulheres.
 
 
"Feministas são todas lésbicas"
Pronto... chegou noutro ponto polêmico. E olha que usei o termo bacaninha e não os pejorativos. O que já ouvi de pergunta sobre minha orientação sexual é de perder a conta. Sem dúvida alguma o movimento feminista tem as lésbicas - que são muito bem-vidas e respeitadas, creio! – não participo de “movimentos” organizados, mas tenho convicção que sim.  Porque são mulheres, porque estão lutando pelo direito a exercer a sua sexualidade da mesma forma que todas (hetero, bi...). Mas esse rótulo de que toda feminista é lésbica é uma das coisas mais machistas que se repete como forma de se reduzir a profunda diversidade do movimento.

 "Feministas são frígidas"
 
Ah... isso já deu até música. Quem curtiu os anos 80  e não cantou com a Blitz  "Frígida, Betty Frígida… rígida, eu não consigo relaxar"?! Ela (a banda) se referia à Betty Friedan, figura histórica do feminismo nos EUA, dos anos 60.
Outro equívoco, amadinhos! Foram as feministas que “empurraram” a mulher pra se conhecer melhor, aprender a se tocar, se olhar com um espelhinho para conhecer todas as suas "partes"... Foram elas que disseram que masturbação não é pecado e não faz mal, mas ajuda a mulher a conseguir o orgasmo. Aliás, elas foram a primeiras a lembrar que orgasmo é um direito! Portanto, querid@s, de frígidas, não temos nada...  muito pelo contrário.

Enfim,  somos "rancorosas e amargas" ou "super mulheres"? Nem uma coisa nem outra, especificamente. Somos, todas, mulheres. Entramos em crise, somos contraditórias, temos TPM, sofremos por ser difíceis, muitas vezes temos que optar entre investir na vida profissional ou a maternidade e tudo isso talvez se agrave porque temos, também, essa consciência de que temos que lutar por direitos iguais, num mundo com tantas injustiças contra as mulheres.  Viver já é complicado, pra cacete! Pra todo mundo. O melhor seria se a gente pudesse vencer esses estereótipos, ter mais respeito e ver cada um(a) como é, com todas as suas nuances…

Por enquanto, quero só ressaltar que hoje não deveria ser um dia para flores, nem presentes, como já disse inicialmente, mas um dia de lembrar as sérias questões que ainda fazem parte do dia-a-dia da maioria das mulheres, como a violência doméstica, a desigualdade salarial, o desrespeito na mídia, na moda, o empobrecimento, a vulnerabilidade a doenças como AIDS, as triplas jornadas, as especificidades da mulher negra e muito, muito mais! É, também dia de mostrar nosso respeito a TODAS as mulheres, cultivando a tolerância e compreendendo as diferenças.

 Como ando muito "poética", vou falar um pouquinho sobre algo, ao invés de fazer uma denúncia: a questão da famosa "loucura feminina", que me veio à mente, aogora,  ao me lembrar que foi reprisada, recentemente, a novela Páginas da Vida, do Manoel Carlos, com a estupenda Lilia Cabral fazendo a não menos maravilhosa personagem Marta, que na novela, termina completamente louca. As mulheres "más", nas novelas, têm sempre a loucura ou o desequilíbrio emocional (mais que o "normal") como castigo. Autores sem imaginação!. Essa é a forma mais simples de se castigar as mulheres "más", mas, também de justificar as mulheres "difíceis", aquelas que não se calam, que não se submetem. E a gente introjeta essa idéia de uma sociedade patriarcal. Eu lembro de, desde muito novinha, repetir "gente, eu sou muito louca". Isso, significando que eu não me conformo, não me submeto, não obedeço, estou sempre procurando alguma coisa, tenho uma energia que não acaba nunca e corro riscos, muitos riscos, de todo tipo.

Claro que existe a loucura real, biológica (não estou negando isso, imagine!). Há a depressão que acomete mais as mulheres, maiores vítimas de pressões sociais, de responsabilidades para criar os filhos, de prover a família enquanto o marido vai beber no boteco da esquina os últimos trocados que seria pra comida das crianças. Não?! Nem precisa ser Assistente Social e ter trabalhado em comunidades carentes para saber, ouvir muitos relatos de mulheres que enlouqueceram, literalmente, por não aguentar não ter o que dar de comer aos filhos. Mas, a "loucura" da qual estou falando é aquela impingida às mulheres, especialmente por um tipo de homem (há exceções, quero registrar! Ainda bem!), inseguro e imbecil que tem como insultos favoritos: "louca, descompensada, desquilibrada, tá precisando de um homem para se acalmar…" (E pensar que se ouve isso, inclusive de algumas mulheres... aiii!!!). Ééééé... porque pro machista, um pênis é tudo que a mulher precisa para sair do seu estado constante de loucura, histeria e desespero. E, “obóvio” que acham que seria o pênis DELES.  E ainda que isso fosse remédio pra alguma coisa, os deles nunca funcionariam, afirmo sem medo de erro, baseada em experiências próprias. Porque os machistas costumam ser de uma incompetêcia brutal nesses assuntos... hahahaha!. Acontece que, se os homens fazem o que querem são "audaciosos", mas se as mulheres fazem (ou dizem) o que querem é porque são "loucas".

Então, quer saber? Neste 8 de março, mulher, ENLOUQUEÇA.
Não desista. Dê-se ao direito de fazer sandices (desde que não desrespeite a si, seus princípios, valores, tampouco os outros); de rir sem motivo; de mudar de profissão, se não estiver feliz… ainda que isso pareça loucura e custe um tantinho "caro", às vezes.

Ame muito, quem você quiser, quantas vezes quiser, como e onde você quiser. Vista-se como achar bacana e sentir bem, independente da idade; raspe a cabeça ou pinte o cabelo de uma cor estravagante. Amadureça ou seja eternas adolescente, se assim sentir. Faça coisas sem planejar, saia de casa e mude seu roteiro no caminho, não tema o inesperado. Se cuide, se ame, se proteja, mas, por favor, nunca deixe que o estigma de louca a impeça de fazer coisa alguma. Não precisamos ser o que esperam que a gente seja nem aos 20, nem aos 30, 40, 50, 60, 70, 80 anos. E eu espero chegar até estes "enta".

Por fim, encerro este post looonnnngoooo, citando algumas mulheres maravilhosas que nos deram a benção da sua lúcida "loucura":

 “Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente, tudo se esclarece.

*****
Mas seu descompasso com o mundo chegava a ser cômico de tão grande: não conseguira acertar o passo com as coisas ao seu redor. Já tentara se pôr a par do mundo e tornara-se apenas engraçado: uma das pernas sempre curta demais

*****
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

*****
Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata.
(Clarice Lispector)”

"Pergunto se sou louca
Quem quem saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais se sou eu

*
Te acalma, minha loucura!
Veste galochas nos teus cílios tontos e habitados!
Este som de serra de afiar facas
não chegará nem perto do teu canteiro de taquicardías…

*
Não sou idêntica a mim mesmo
sou e não sou ao mesmo tempo,
no mesmo lugar e sob o mesmo ponto de vista
Não sou divina, não tenho causa
Não tenho razão de ser nem finalidade própria:
Ou a própria lógica circundante.

(Ana Cristina César)”

 “o Desejo

E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.

(Hilda Hilst)”

“Loucura

O ímpeto de crescer e viver intensamente foi tão forte em mim
Que não consegui resistir a ele. Enfrentei meus sentimentos.
A vida não é racional; é louca e cheia de mágoa.
Mas não quero viver comigo mesma.
Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal.
Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos,
Beber um Benedictine ardente.
Quero conhecer pessoas perversas, ser íntimas delas.
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela.
Eu estava esperando.
Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro.
Todo o resto foi uma preparação.
A verdade é que sou inconstante,
Com estímulos sensuais em muitas direcções.
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos,
E entrei em erupção sem avisar.

(Anais Nin)”

 "Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se torce amargurada!

Quantas morrem saudosa duma imagem.
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

(Alice Ruiz)"

já estou daquele jeito
que não tem mais concerto
ou levo você pra cama
ou desperto.

(Florbela Espanca)”

 "Hoje me falaram em virtude
Tudo muito rito, muito rígido
Com coisinhas assim mais ou menos
Sentimentais.

Patricia Galvão (Pagu)”

" Canção de Amor de uma Jovem Louca

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura;
Beijaste-me para a insanidade.

(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas;
Abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente)

 Sylvia Plath)”

 Bem... que venha domingo e seus “centos” e-mails e todos os demais dias que temos pela frente, como mimos e chocolates de nossos homens especiais. Embora eu esteja procurando este espécime de lanterna na mão. Ahahahaha!

 Beijosssss!!!!

sábado 07 março 2009 15:04



4 comentário(s)

  • Aucilene respondendo Qua 25 Mar 2009 22:54
    Recife, eu deveria excluir o seu grosseiro comentário, mas não o farei por um motivo simples: eu que estava de mau humor, melhorei de imediato ao lê-lo. Você me provocou gargalhadas, cara (acredito que seja do sexo masculino, né? só pode!)! E completamente equivocado. Primeiro: não existe opção sexual e sim orientação. E esta não vê por "cara". E ao contrário do que pensa, sou bem cortejada, sim. E, também ao contrário do que pensa, não tenho raiva de homem (com M e não N querido!), extamente porque eles t~em o que gosto e não tenho (exceto quando pequenos, o que deve ser o se caso, pra ser tão amargo). E passe bem! Ah... vá arrumar o que fazer... talvez um curso de português para aprender a escrever lhe caia bem.
  • recife Qua 25 Mar 2009 21:33
    VC COMECOU A SE IDENTIFICAR COM AS FEMINISTAS QUANDO COMECOU A DEFINIR SUA OPCAO SEXUAL BASTA VER SUA FOTO VC TEM CARA DE LESBICA DEVE SER POUCO CORTEJADA E O MAIS IMPORTANTE TEM RAIVA DE HOMEN POR NAO TER UM FALO OU SEJAN PICA
  • unimultiplicidade respon Seg 09 Mar 2009 01:54
    Fala, Norma!

    Bom dia!

    Obrigada pela visita e pelo carinho. Quanto à simpatia.. acho que não é bem assim. Talvez a palavra seja "afinidade". E esta, talvez não exista pela falata maior de contato. Nada mais.

    Quanto à homenagem, se vc pensa que eu a mereça, imagine eu a você, que atua permanentemente em busca, efetiva, de mudança pela política? Homenagens a você.

    bj
  • Norma mailto Dom 08 Mar 2009 18:49
    Para uma mulher, que conheci no teatro e adorei a irreverência, frequentamos alguns espaços e pessoas comuns, que não é simpática (ou não rolou a tal empatia) mas que admiro a cada dia mais nos textos que leio. Adoro teu blog e o divulgo bastante. Acabo de deixá-lo na lista dos favoritos no computador de uma amiga , que utilizo agora, como presente ao nosso dia. Além das citadas por ti, incluo também como homenageada, Você!
    Abraços,
    Norma


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